Pérolas aos porcos
Se você tuitar a quintessência do universo e não houver reação nenhuma de seus seguidores, não se desespere: não é à toa. O Twitter possui mais de 100 milhões de usuários ativos e uma média de 200 milhões de tweets por dia, o equivalente a 8.163 cópias de Guerra e Paz. Verborragicamente falando, é claro.
Como não há nenhum algoritmo de ranking que privilegie conteúdo relevante, tanto quem produz quanto quem consome informações no Twitter fica à mercê da linha do tempo. Na prática, isso deixa claro qual é a característica mais notória dessa rede social: você fala sozinho.
Essa avalanche de informações não é novidade. O Facebook, por exemplo, contorna esse mesmo problema com muita elegância, mesmo que seu usuário médio tenha quase cinco vezes mais amigos do que a média de seguidores do Twitter. Por lá, toda vez que você posta algo sua pequena pérola de sabedoria tem no mínimo duas chances de permanecer nas top stories: randomicamente, quando ainda é conteúdo recente, ou recebendo likes, comentários e shares. Postado no Twitter, a mesma informação é rapidamente soterrada por uma torrente de sapiência.
Sim, você pode argumentar que as duas redes não têm a mesma finalidade e sim, você está certo. Mesmo assim, na minha humilde opinião, o Twitter precisa rever a disposição dos tweets, sob o risco de tornar-se inutilizável com aquela timeline burra. Até lá, caros amigos, continuaremos atirando pérolas aos porcos.
Porcos cegos.
