A pior profissão do mundo

A pior profissão do mundo não é manipulador de boca de forno, pesquisador de fezes de baleia, removedor de cadáveres na estrada, entomologista forense, controlador de qualidade de comida de gato, inspetor de alta-tensão, limpador de banheiro químico, analista de suporte da Microsoft, piloto de avião agrícola, masturbador de cavalos, esterilizador de elefantes, guarda no Palácio de Buckingham, mergulhador de risco ou zelador de cinema pornô. Guarde sua coleção de Superinteressante, pequeno gafanhoto. A vida real não passa no Discovery Channel.

A pior profissão do mundo, caro amigo, é a de atendente do Cinesystem na quinta-feira do beijo.

Ponha-se no lugar da Adelaide, vendendo ingressos para a última sessão de P.S. Eu Te Amo dois dias depois de ter sido trocada pela garçonete do Habibs. É quinta-feira, maldito dia da semana em que “o casal que trocar um beijão diante da bilheteria pagará apenas R$ 13 por dois ingressos para sessões 2D e R$ 19 para sessões 3D”.

Pescou a mensagem subliminar? Não basta um beijo simbólico, trocado discretamente para se credenciar ao desconto. É preciso engolir o(a) companheiro(a) no mais tórrido e úmido beijo de língua, daqueles que duram no mínimo 10 minutos e têm intensidade suficiente para desentupir um ralo de pia do McDonald’s.

E a Adelaide ali, batendo desesperadamente no vidro para que o quinquagésimo casal da noite se desgrude e alguém digite a senha do cartão de crédito. Antes de pegar os ingressos, o mancebo apaixonado ainda tem tempo de olhar no fundo dos olhos da namorada e repetir, com um sorriso abobalhado, o quanto a ama.

No fim da noite, Adelaide fará com que o Cinesystem perca somente para Lituânia e Coreia do Sul em número de suicídios.