O Efeito Borboleta (parte II)
Almada & Oliveira
O futuro soldado Sd. Almada ainda era um adolescente magro conhecido como Kiki quando emergiu e gritou pelos bombeiros. Um deles mergulhou e retirou pelo braço alguém ainda mais magro, de uns 15 anos, respirando com dificuldade. Os dois jovens foram levados até onde a correnteza era mais fraca e o afogado mentiu que tinha ido sozinho ao balneário. Na verdade, se afogou porque o dia estava quente, aceitou o convite de um padrinho, arriscou-se em águas mais profundas e a correnteza estava forte. Não morreu porque pediu ajuda e o amigo lhe salvou como pôde.
Aos 17, um colega chamado Adão Maurício gravou-lhe um CD com programas de computador, jogos e videoclipes. Em casa, descobrindo sozinho e desconectado como funcionava um editor HTML, travou seu primeiro contato com códigos-fonte e lógica de programação. Aos 19, tinha certeza absoluta do que queria cursar: Ciência da Computação. E aos 24, foi ao amigo que dedicou seu trabalho de conclusão de curso. Afinal, aquele simples compartilhamento de arquivos, sete anos antes, havia determinado seu meio de vida.
Por causa de vergonhas adolescentes sem sentido, talvez nunca tenha agradecido aos dois. Demorou para entender que só estava vivo e fazendo o que fazia por causa dessas duas pessoas e de uma combinação única de fatores. Quando o fez, era tarde. Por combinações menos felizes, Adão Maurício Moreira de Oliveira faleceu no Natal de 2007, aos 27 anos. Maicon Vicente Nunes Almada morreu dois meses e meio depois, aos 22.