Meu recém-falecido ex-colega
(Ou Descrição de sonho #1.)
Eu estava caminhando por uma rua próxima a minha antiga casa quando um avião cruzou o céu em direção ao solo. O som da explosão chegou a mim no mesmo instante em que vi um paraquedista se aproximando a uma velocidade que, certamente, não permitiria uma aterrissagem segura. O paraquedista se estatelou em um terreno baldio ao lado da casa de um ex-colega meu e, como em qualquer outro acidente, sua primeira reação foi tentar levantar-se e provar (sobretudo a si mesmo) que tudo estava bem. Como bom estudante de manuais de primeiros socorros, pedi para que não se movesse e fui à casa de meu ex-colega pedir ajuda. Seu pai estava ao telefone e, ao desligar, veio finalmente abrir a porta. Com os olhos vermelhos, disse que meu ex-colega acabara de morrer. De gripe.
Apesar da notícia triste que acabara de receber, o pai de meu recém-falecido ex-colega concordou em ajudar o paraquedista - que era, como você já deve ter imaginado, piloto do avião. Graças a esse gesto estóico de solidariedade, pude correr à rodoviária para comprar uma passagem. No caminho, encontrei um ex-professor da faculdade que, descobri, era tio de meu recém-falecido ex-colega. Revoltou-se quando lhe contei que o pai de meu recém-falecido ex-colega estava com os olhos vermelhos, pois, segundo ele, o velho não perdia nenhuma oportunidade de chamá-lo de indie. Perguntei se a rodoviária possuía caixa eletrônico do banco do estado, pois eu não tinha dinheiro. O professor não sabia, mas uma propaganda do banco na próxima curva tirou minha dúvida. Chegamos à rodoviária às 17h, mas o ônibus só sairia às 18h18*.
* Coincidentemente, na vida real, esse é meu horário de saída do trabalho.