Provável setlist do show do Pearl Jam em Porto Alegre, 11/11/2011

Pearljam

Faltando 10 dias para a segunda passagem do Pearl Jam por Porto Alegre, a análise matemágica dos últimos concertos da turnê Twenty é a único meio de se adivinhar o setlist do show. Como o próprio vocalista Eddie Vedder afirma no documentário Pearl Jam Twenty, a banda sempre decide o setlist momentos antes de cada apresentação, o que dificulta a tarefa e explica o grande número de músicas diferentes incluídas na turnê (somente nos últimos 10 shows já são 104).

Porém, nem tudo está perdido. Com uma pequena ajuda do setlist.fm, cálculos e magia negra, o provável setlist do show é o seguinte:

  1. Animal (do álbum Vs.)
  2. Hail Hail (do álbum No Code)
  3. Got Some (do álbum Backspacer)
  4. Elderly Woman Behind the Counter in a Small Town (do álbum Vs.)
  5. Given To Fly (do álbum Yield)
  6. Corduroy (do álbum Vitalogy)
  7. Setting Forth (da trilha sonora de Into the Wild, disco solo de Eddie Vedder)
  8. Not For You (do álbum Vitalogy)
  9. Even Flow (do álbum Ten)
  10. Daughter (do álbum Vs.)
  11. Wishlist (do álbum Yield)
  12. Olé (disponível para download gratuito no site oficial da banda)
  13. Do The Evolution (do álbum Yield)
  14. Unthought Known (do álbum Backspacer)
  15. Lukin (do álbum No Code)
  16. Down (do álbum Lost Dogs)
  17. Once (do álbum Ten)
  18. The Fixer (do álbum Backspacer)
  19. Why Go (do álbum Ten)
  20. Present Tense (do álbum No Code)

Primeiro bis:

  1. Just Breathe (do álbum Backspacer)
  2. Black (do álbum Ten)
  3. State Of Love And Trust (da coletânea rearviewmirror (Greatest Hits 1991-2003))
  4. Porch (do álbum Ten)
  5. Better Man (do álbum Vitalogy)

Segundo bis:

  1. Alive (do álbum Ten)
  2. Crazy Mary (cover de Victoria Williams)
  3. Search and Destroy (cover de Iggy and The Stooges)
  4. Rockin' in the Free World (cover de Neil Young)
  5. Yellow Ledbetter (do álbum Lost Dogs)

Além dessas, podem ser incluídas sem aviso prévio Last ExitSevered HandUGarden1/2 FullOff He GoesCome BackJeremyRearviewmirror. Last Kiss? Difícil, campeão.

Aos que vão, um bom show!

O Efeito Borboleta (parte II)

Almada & Oliveira

O futuro soldado Sd. Almada ainda era um adolescente magro conhecido como Kiki quando emergiu e gritou pelos bombeiros. Um deles mergulhou e retirou pelo braço alguém ainda mais magro, de uns 15 anos, respirando com dificuldade. Os dois jovens foram levados até onde a correnteza era mais fraca e o afogado mentiu que tinha ido sozinho ao balneário. Na verdade, se afogou porque o dia estava quente, aceitou o convite de um padrinho, arriscou-se em águas mais profundas e a correnteza estava forte. Não morreu porque pediu ajuda e o amigo lhe salvou como pôde.

Aos 17, um colega chamado Adão Maurício gravou-lhe um CD com programas de computador, jogos e videoclipes. Em casa, descobrindo sozinho e desconectado como funcionava um editor HTML, travou seu primeiro contato com códigos-fonte e lógica de programação. Aos 19, tinha certeza absoluta do que queria cursar: Ciência da Computação. E aos 24, foi ao amigo que dedicou seu trabalho de conclusão de curso. Afinal, aquele simples compartilhamento de arquivos, sete anos antes, havia determinado seu meio de vida.

Por causa de vergonhas adolescentes sem sentido, talvez nunca tenha agradecido aos dois. Demorou para entender que só estava vivo e fazendo o que fazia por causa dessas duas pessoas e de uma combinação única de fatores. Quando o fez, era tarde. Por combinações menos felizes, Adão Maurício Moreira de Oliveira faleceu no Natal de 2007, aos 27 anos. Maicon Vicente Nunes Almada morreu dois meses e meio depois, aos 22.

O que é liberdade

Um dos melhores textos de Como Morrem os Pobres e Outros Ensaios, de George Orwell, é o prefácio que o autor propôs em 1945 para a primeira edição de A Revolução dos Bichos. Esse ensaio sobre a liberdade de imprensa só foi publicado 27 anos depois e contém uma resposta fácil para uma pergunta difícil: o que é liberdade?

Se liberdade significa alguma coisa, significa o direito de dizer às pessoas o que elas não querem ouvir.

Para mim, essa definição é tão marcante quanto a frase de Cecília Meireles imortalizada no curta-metragem Ilha das Flores, de Jorge Furtado. Entre notas distorcidas de Il Guarany, ouvimos do narrador:

Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta, que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda.

Me Dá Saudade

(Ou Descrição de sonho #3.)

Era uma banda hipster tipo The Pains of Being Pure at Heart e tinha uma ideias tipo Flaming Lips. Prometiam que as quatro músicas disponibilizadas em seu site reproduziriam uma quinta música completamente diferente se fossem tocadas ao mesmo tempo. A primeira era um cover indie de Wando e as outras não passavam de barulhos aleatórios. Mesmo não acreditando muito, dei o play no Wando e comecei a bater o pé para marcar o andamento e tocar as próximas no tempo certo.

Para minha completa surpresa, a quinta música era uma versão de estúdio de Me Dá Saudade, de Pepe Fontanari. Tinha ganhado arranjos novos e pensei ser justo que finalmente um músico cachoeirense rompesse as fronteiras da Capital do Arroz.

Quando eu ando pela Sete
E o sol começa a esquentar
E o riso ciranda o rosto
Quando eu começo a me lembrar

Me dá saudade
Do cheiro de guardado
Nas capas de vinil
Que se compra em brechó

Revirando algumas fotos
E lembrando de algum tempo que passou
Me peguei rindo sozinho
Da minha própria solidão

Me deu saudade
Saudade de ser cabeludo
E do casaco de veludo
Que eu ganhei da minha vó

Me deu saudade
Saudade de ser cabeludo
E do casaco anos 70
Que eu ganhei da minha vó